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Edição da Manhã: professor analisa política de deportação do governo Trump

Edição da Manhã: professor analisa política de deportação do governo Trump

Na edição desta quarta-feira (29) do programa Edição da Manhã, da RádioCom Pelotas, o professor Fábio Amaro Duval, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), comentou sobre a política de deportação em massa adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em seus primeiros dias de governo, Trump estabeleceu uma meta de prender entre 1.200 e 1.500 imigrantes ilegais por dia, uma medida que afeta milhares de brasileiros e outros grupos migratórios.

A escalada da política anti-imigratória nos EUA

Segundo o professor Duval, a política de deportação não é uma novidade nos Estados Unidos, mas foi intensificada sob o governo Trump. "O ex-presidente Joe Biden também conduziu deportações em massa, com uma média de 300 a 350 prisões de imigrantes ilegais por dia. Trump, no entanto, pretende aumentar esse número para 1.200 prisões diárias, o que representa um esforço logístico enorme", explicou.

Duval ressaltou que apenas a comunidade brasileira nos EUA conta com cerca de 250 mil imigrantes ilegais, enquanto a população mexicana na mesma situação chega a 4 milhões de pessoas. "A mão de obra imigrante ilegal é essencial para os trabalhos menos remunerados no país, e essa política pode impactar diretamente a dinâmica do mercado de trabalho norte-americano", alertou Fábio.

A postura política de Trump e as consequências diplomáticas

O professor também destacou que a decisão de endurecer a política migratória faz parte de uma estratégia de Trump para reforçar sua base eleitoral. "Ele busca criar alarde e chamar atenção para sua gestão, respondendo diretamente aos anseios do seu eleitorado", afirmou.

Em relação às consequências diplomáticas, Duval citou a reação da Colômbia e do México, que tentaram adotar medidas retaliatórias contra os EUA. "O presidente colombiano, Gustavo Petro, blefou ao anunciar que iria proibir voos militares norte-americanos em território colombiano e a revogar vistos de americanos. No entanto, Trump respondeu imediatamente cortando os vistos dos colombianos para os Estados Unidos, forçando Petro a recuar", analisou.

Questão humanitária e violência nas deportações

A forma como essas deportações são conduzidas também tem gerado polêmica. Imagens recentes mostraram brasileiros sendo deportados em condições degradantes, algemados dentro de aeronaves com problemas no ar-condicionado. "Embora os EUA tenham o direito de deportar imigrantes ilegais, a questão central é o respeito à dignidade humana. Não há tratados internacionais que impeçam o uso de algemas nesses casos, mas espera-se um mínimo de diplomacia e cortesia entre os Estados", disse Duval.

O professor destacou que, diante dessas circunstâncias, o governo brasileiro tem buscado negociar com os EUA uma abordagem menos truculenta para as deportações. "O Brasil não pode impedir a deportação, mas pode pressionar por um tratamento mais humanizado aos seus cidadãos", concluiu.

Impactos globais da política anti-imigração

A política migratória dos EUA sob Trump também reflete um movimento global de endurecimento contra imigrantes. Segundo Duval, países como Reino Unido e França também têm histórico de medidas anti-imigratórias. "O Brexit, por exemplo, foi motivado, em parte, pela rejeição à imigração europeia", exemplificou.

Ele ainda ressaltou a contradição da postura norte-americana, um país historicamente formado por imigrantes. "Os Estados Unidos sempre dependeram da imigração para seu crescimento econômico e avanço tecnológico. No entanto, as políticas de Trump têm um viés seletivo: cientistas e especialistas estrangeiros continuam sendo bem recebidos, enquanto trabalhadores de baixa qualificação são marginalizados", pontuou.

Com a intensificação dessas medidas, o professor Fábio Duval acredita que a deportação em massa deve continuar a gerar conflitos diplomáticos e impactar significativamente a vida de milhares de imigrantes.

Confira a entrevista completa no canal da RádioCom Pelotas no YouTube.



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